Capsulite adesiva (ombro congelado)

Introdução

A capsulite adesiva (ou ombro congelado) é uma condição clínica caracterizada por dor e rigidez articular do ombro, de início insidioso e arrastado, porém de evolução autolimitada.

Pode resultar de aderências entre a cápsula e o osso, contratura de partes moles ao redor da articulação ou contraturas musculotendinosas.

 

Epidemiologia:

  • incidência de 2% da população geral
  • acomete principalmente o sexo feminino 2:1
  • sem dominância (controverso, alguns autores afirmam que ocorre mais frequentemente no membro não dominante)
  • bilateral em 6 a 34% dos casos
  • a incidência aumenta em 40% em diabéticos
  • idade 40 - 60 anos
  • sedentários

 

Patologia:

Segundo a classificação de Zuckerman, a capsulite adesiva é dividida em primária ou idiopática, quando não há um fator precursor da doença, e secundária em que há um fator causador conhecido, podendo ser dividida em intrínsecas, extrínsecas e sistêmicas

  • Intrínsecas: traumas, lesões do manguito rotador, lesão do cabo longo do bíceps, tendinite calcárea, degeneração da articulação acrômioclavicular
  • Extrínsecas: doenças foras da articulação como tumores de parede torácica, cirurgia cardíaca aberta prévia e radiculopatia cervical.
  • Sistêmicas: diabetes, hiper e hipotireoidismo, doença de Parkinson e doenças cardíacas

 

Quadro clínico:

Dor mal localizada no ombro, piora com os movimentos, piora noturna, inicio espontâneo e de piora progressiva, levando a restrição dos movimento, principalmente rotação externa, elevação e rotação interna.

 

Evolução:

Dividida em 3 fases:

  • Fase aguda ou hiperálgica: dor insidiosa que se agrava rapidamente (primeiro sintoma da doença), a mobilidade está presente mas é dolorosa. Pode ser acompanhada de fenômenos neurovasculares (distrofia simpaticoreflexa). Duração de 6 semanas a 9 meses.
  • Fase de enrijecimento ou congelamento: a dor passa a ser principalmente noturna e na tentativa de mobilização da articulação. Ocorre a perda progressiva da amplitude de movimento e redução do espaço articular. Duração de 4 a 6 meses.
  • Fase de descongelamento: caracteriza-se pela liberação progressiva do arco de movimento, melhora da dor, aumento do espaço articular. Duração 6 meses a 2 anos.

 

Diagnóstico:

O diagnóstico é clínico e retrospectivo na maioria dos casos pois na fase inicial, a capsulite adesiva é bastante confundida com outras patologias e quando o diagnóstico é estabelecido, o paciente já procurou vários profissionais e submeteu-se a tratamentos variados. A dor insidiosa de evolução rápida, limitação de movimentos principalmente as rotações, sem nenhuma razão aparente é altamente indicativo da doença em curso.

  • Radiografia: Mostram redução do espaço articular e osteopenia por desuso. Pode mostrar outros problemas em seu ombro, como a artrite.
  • Ressonância magnética (RM) e ultra-som: Estes estudos podem criar melhores imagens de problemas com os tecidos moles, tais como lesões do manguito rotador.

Lembrar que o volume de líquido sinovial de um ombro normal está entre 20 e 25ml e na doença, esse volume cai para valores entre 3 e 15ml.

 

Tratamento:

Vários métodos de tratamento foram propostos, o que mostra a controvérsia no que diz respeito tanto a etiopatogenia como na forma de abordagem durante as fases da doença. Consenso apenas no fato de que o foco do tratamento está no combate a dor e mobilidade precoce.

O passo inicial está em identificar a fase evolutiva da doença em que o paciente se encontra e dividí-los em grupos

  • Restrição da mobilidade sem dor.
    • Fisioterapia com supervisão constante.
    • Não melhora com 30 dias: liberação via artroscopia ou manipulação sob anestesia ou distensão hidráulica com anestésico + corticoide (controverso).
  • Restrição e dor intensa.
    • Fisioterapia para controle da dor e infiltração do nervo supra-escapular. O nervo situa-se 2cm medial e posterior a articulação acrômio clavicular.

nsupraescapular

  • Restrição de mobilidade associada com patologia cirúrgica do ombro:
    • Cada caso terá uma conduta de acordo com doença. Em geral realiza-se manipulação sob anestesia, seguida do tratamento cirúrgico da lesão e fisioterapia.
A manobra de manipulação da articulação glenoumeral é uma manobra que deve ser realizada por profissional experiente, pois não está isenta de riscos como fraturas, lesões no plexo braquial, lesões musculotendíneas e luxação. Inicia-se realizando elevação ampla do membro no plano da escápula. Em seguida, realiza-se cuidadosamente a abdução e rotação externa, seguida de nova elevação do membro no plano da escápula. Associada a manobra pode se realizar a distensão da articulação com anestésico e corticóide, prolongando o período de analgesia e permitindo a atuação do terapeuta.

Considerações importantes

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